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Quarta-feira
Jul272011

Estratégias para versões tablets de jornais

Christian Marra

Um artigo publicado na página web da Editor & Publisher traz interessantes visões estratégicas para as empresas jornalísticas prepararem-se para a popularização dos tablets, um fenômeno irreversível. Para simplificar, reproduzo abaixo algumas das principais ideias:

 

Não limitar-se a PDFs
 
A versão de um jornal para os tablets não pode, de forma alguma, limitar-se a uma versão PDF do jornal. É um erro insistir nessa direção. O manuseio de tablets é completamente diferente de um jornal impresso. Mesmo assim, uma pesquisa do Poynter Institute, realizada em março deste ano, revelou que os PDFs ainda prevalecem entre os aplicativos jornalísticos.

 

Mudança no comportamento dos leitores

Os aplicativos para tablets estão mudando a maneira de se ler notícias. Quanto mais eles se popularizarem, mais essa transformação no comportamento do público será notável.
Nos EUA, estima-se que, até 2015, cerca de 1/3 de sua população possuirá um tablet. É inevitável que os jornais comecem, desde já, a preparar-se para atender a essa demanda. Terão que ganhar know how de desenvolvimento, contornar dificuldades técnicas, estudar hábitos dos leitores, descobrir formas de rentabilizar esses processos, etc.

 

Públicos distintos

O usuário de tablets não necessariamente lê também jornais. Pesquisas têm apontado que o público nem sempre coincide, ou seja, mais que um processo de “migração de plataformas”, o que mais se tem observado é uma atração de novos leitores, que normalmente não lêem o jornal. O público que usa tablets é mais similar ao dos smartphones, que por sua vez, também é distinto do leitor de jornais. Tudo isso representa uma enorme quebra de cultura profissional nas empresas jornalísticas, que precisam ganhar experiência quanto antes em plataformas móveis.
Pesquisas sobre o perfil de usuários de tablets nos EUA mostram que sua maior parte encontra-se na faixa dos 25 aos 45 anos de idade. Essa não é necessariamente a principal faixa de leitores dos jornais (em geral, essa faixa é superior). Por isso, não se trata de forçar o leitor de jornais a migrar para os tablets. Muitos farão isso naturalmente, mas os conteúdos em tablets podem servir como ótimo canal para atrair novos leitores, mais jovens, que atualmente não lêem jornais.

 

Ganhar experiência

 

Entre as empresas americanas, é comum a estratégia de atuar em vários nichos da comunicação digital (web, mobile) mesmo que eles sejam complementos da principal atividade (TV ou jornal). Isso permite à empresa ganhar “musculatura” na área digital, preparando-se solidamente para uma etapa futura quando – espera-se – os serviços digitais passarem a representar uma fonte de receitas mais robusta do que hoje (no momento, ainda são apêndices deficitários, ou que no máximo se equilibram ou alcançam uma margem de lucro pequena).

 

Modelos de negócio

Algumas empresas estão apostando em aplicativos gratuitos. Outras estão cobrando. As que apostam no modelo gratuito estão atualmente mais focadas na distribuição. Querem conquistar uma parcela alta de usuário para assim tentar seduzir o mercado publicitário, que é outro mercado ainda inexperiente e imaturo no segmento dos tablets. De fato, publicitários, da mesma maneira, ainda estão aprendendo a explorar o potencial das plataformas móveis. Trabalhar em conjunto com as empresas do ramo é uma estratégia importante.

 

Terceirizar ou criar equipes próprias?

 

No momento, muitas empresas informativas estão terceirizando a criação de aplicativos. Os motivos são vários: falta de experiência, ausência de recursos, terceirizar uma operação que ainda é pequena, etc. As empresas maiores já estão criando editorias próprias para tablets. É uma tendência, tal como foi no começo da web. No futuro, será comum às empresas dispor de equipes, compostas por jornalistas, programadores e designers, todos dedicados somente aos serviços móveis. Profissionais especializados farão parte do processo informativo, dentro do atual processo de integração de plataformas que se vê nas redações.

 

Personalizar conteúdos e publicidade

A personalização dos conteúdos não se restringe aos conteúdos, mas também à publicidade. Por meio das ferramentas de geolocalização de alguns tablets, dotados de GPS, é possível fazer com que, conforme a localidade, conteúdos jornalísticos e anúncios publicitários sejam adequados à região do usuário.

 

Conhecer hábitos de uso

 

Infelizmente não há ainda no Brasil estudos detalhados sobre os hábitos de uso de tablets para a leitura de notícias. Nos EUA, alguns estudos já começaram a ser divulgados, o que é uma informação altamente estratégica para o planejamento do aplicativo de uma empresa informativa.
Isso leva algumas empresas dos EUA, por exemplo, a publicar boa parte de seus conteúdos de seu aplicativo no iPad após às 18h, pois sabem que grande parte dos usuários do dispositivo preferem usá-lo quando chegam em casa, após o trabalho. Elaborar conteúdos conforme os hábitos de uso dos leitores deverá ser uma tendência.

 

Segmentação

 

A facilidade de se criar aplicativos e sua elevada potencialidade de segmentação permitem às empresas jornalísticas explorar ao máximo seus conteúdos. Eles podem criar inúmeros aplicativos, cada qual com conteúdos dirigidos a segmentos de leitores (público infantil, adolescente, jovens profissionais, mulheres, homens, etc). De fato, essa estratégia é própria da natureza dos aplicativos, pois estes, normalmente, possuem finalidades específicas. Aplicativos nunca farão o papel, por exemplo, de um portal de notícias, com uma quantidade enorme de conteúdos embutidos. Aplicativos funcionam melhor quando são segmentados – sobretudo quando elaborados para smartphones.


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