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Terça-feira
Mai172011

Loja de aplicativos favorece sucesso do iPad

Christian Marra

No último mês de abril, o CEO da Motorola Mobility, o indiano Sanjay Jha, durante uma coletiva para anunciar os resultados do quadrimestre aos acionistas (leia mais na matéria da Wired), teve que se desvencilhar de uma situação constrangedora: como explicar as vendas abaixo do previsto do badalado tablet da Motorola, o Xoom?

Segundo ele, um dos vilões apontados foi este: “os aplicativos do ecossistema da Android”.

De fato, pouco se tem falado da vantagem competitiva que o iPad conquistou graças à riqueza de aplicativos de sua App Store. O pioneirismo da Apple em abrir a desenvolvedores independentes a criação de aplicativos (com a chance de ganharem dinheiro com isso), ao lado do rigor de seus critérios para aprová-los, contribuíram para o surgimento de uma avalanche de aplicativos de alta qualidade, convertendo o conteúdo de sua loja num patrimônio altamente valioso e competitivo.

No dia a dia, é comum encontrar usuários do iPad – e também do iPhone – que adquirem esses dispositivos não somente pela qualidade do produto, mas também pelos ótimas possibilidades que seus aplicativos oferecem. A App Store da Apple é hoje um forte chamariz de vendas. Trocar de aparelho não significa apenas abrir mãos dos consagrados recursos do iPad; é também renunciar a aplicativos fantásticos – muitos deles gratuitos – que nem sempre estarão disponíveis nas demais plataformas. Uma loja de aplicativos de qualidade é essencial para garantir a fidelidade do usuário.

Isso leva a uma conclusão que não é nova: conteúdo de qualidade é e sempre será o que vende. Este exemplo demonstra que, nesse mercado de tablets, não é suficiente desenvolver aparelhos de alta qualidade, com uma experiência de uso atraente e recursos de ponta. É preciso que eles contenham conteúdos atraentes.

Pior para os rivais da Apple: constituir uma loja de aplicativos com o mesmo grau de qualidade que hoje a Apple Store possui, não será uma tarefa rápida. A revista MacMagazine publicou um interessante artigo que mostra o enorme peso que a venda de aplicativos terá no crescimento da Apple nos próximos anos, capacitando-a a superar gigantes como HP e IBM.

De fato, a Apple adota critérios rigorosos para assegurar a qualidade de seus aplicativos. Muita gente reclama disso. De fato, a elaboração de aplicativos para a sua App Store costuma ser trabalhosa, muitas vezes em função dos elevados padrões exigidos pela empresa. É comum que um aplicativo submetido à avaliação seja rejeitado em alguma ocasião. A empresa aponta as mudanças necessárias, e sem elas, nada de liberação. Além disso, é comum a Apple revisar as regras de sua App Store em nome da qualidade, ainda que isso tenha impacto negativo nas vendas.

Mas, do ponto de vista comercial, essa estratégia está se mostrando vencedora: a qualidade é assegurada e as pessoas estão se mostrando dispostas a pagar por isso. O público quer qualidade, ainda que ela não seja gratuita.

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