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Segunda-feira
Abr252011

Expansão da internet móvel muda comportamento do internauta

Reproduzo abaixo trechos de uma entrevista que concedi ao portal Cyberfam, elaborado por estudantes de jornalismo da PUC-RS. O texto original, completo, pode ser lido aqui.

Trechos da entrevista:

As novas tecnologias portáteis possibilitam que os usuários não estejam mais presos a uma mesa para produzir e consumir conteúdo. Com os tablets e celulares cada vez com mais populares, o futuro dos desktops é questionado. Tanto é que aproximadamente metade dos americanos (47%) consumiram neste ano material – seja de serviços ou notícias – através de dispositivos móveis, de acordo com uma pesquisa divulgada pela Pew Internet & American Life Project.

No Brasil, a tendência de migração também pode ser constatada nas vendas que as novas plataformas têm apresenado. Na Compujob, por exemplo, tablets, notebooks e afins correspondem à metade do consumo.

(...)

O jornalista e professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Fernando Milanni, afirmou que o meio móvel de acesso pode tomar o espaço das ferramentas tradicionais.  “Já estão ocupando. Para mim está muito claro isso. Entretanto, estes dispositivos portáteis ainda têm limitações. mas ao mesmo tempo, evoluem rapidamente em capacidade de armazenamento e velocidade de  processamento. O mais importante dos tablets e smartphones, por exemplo, são as aplicações, que se multiplicam em variedade, especificidades e sofisticação”.

Nesse sentido, ele disse que “há várias experiências de jornalismo móvel com repórteres na rua sem retorno para a redação produzindo tudo do local do acontecimento”. Em uma linha de pensamento semelhante está Christian Marra, que dirige a Nethics (empresa de gestão de comunicação digital).  “O volume de smartphones e tablets no mercado ainda é muito pequeno, o que limita essa fonte de receitas. A tendência é que eles apresentem grande crescimento nas vendas nos próximos anos, ampliando o potencial de comercialização de aplicativos jornalísticos. Em breve, será impensável não dispor de um aplicativo para dispositivos móveis, tal como hoje é impensável não se dispor de uma página web”.

Um tópico presente no meio online é a cobrança pelo conteúdo. De acordo com Marra, o mercado possui ”grande potencial, mas ainda é muito cedo para se fazer qualquer projeção mais concreta de volumes de receitas”. “As lojas de aplicativos estão mostrando que há um potencial para a venda de conteúdos jornalísticos. Seu modelo de micro pagamentos, que é muito simples e prático – tem conseguido agradar ao público, que demonstra que está disposto a pagar, nem que seja pouco, por algo de qualidade. Na Web isso nunca aconteceu – até mesmo pela própria dificuldade de se desenvolver um modelo simples de se fazer isso”.

Ainda com relação ao jornalismo, Marra explicita que “muitas empresas começaram a vender aplicativos jornalísticos em suas app stores. Queriam testar esse mercado, ganhar experiência e sentir a resposta do público. O início foi bem positivo, mas ainda é cedo para se afirmar que os dispositivos móveis serão a tábua da salvação (ou tablet da salvação, como se costuma brincar)”.

No entanto, para ele, “os meios móveis nunca conseguirão alcançar o patamar de receitas que as mídias tradicionais, como a TV aberta, e mesmo os jornais e revistas, alcançaram em seu auge”. As mídias de massa dominavam uma enorme parcela da audiência. Na era digital, por outro lado, a audiência está fragmentada. “Por isso, imagino que, no futuro, uma empresa jornalística não terá uma única grande fonte de receitas, mas muitas pequenas fontes espalhadas. O desafio é fazer com que essas numerosas fontes, em seu conjunto, atinjam o mesmo patamar das mídias tradicionais”, avaliou.

Para chegar a um equilíbrio financeiro, Marra pondera que as empresas jornalísticas devem desenvolver a cultura de se pagar por aplicativos, “nem que seja só um pouco. Fazer bom jornalismo é uma tarefa cara, e o modelo de informação gratuita da web está levando as empresas a uma situação crítica. Sem suporte econômico, as empresas jornalísticas ficam reféns de grupos políticos, e isso é ruim para o país”.
Para Fernando Milanni, as inovações tecnológicas não podem ser encaradas como substituição de mão de obra, mas como incorporação de profissionais e de uma parcela do público que não está em veículos de comunicação. “Há muito tempo jornalistas trabalham de forma freelancer, independente. Seja sob demanda para empresas ou para alimentar seus blogs e portais. Inclusive as condições tecnológicas (dispositivos e conexões) liberam mais ainda o trabalho do repórter. Além disso temos os jornalistas cidadãos que independem de estruturas empresariais de comunicação ou de organizações jornalísticas convencionais”, afirmou o jornalista.

Para Marra, cada mídia possui características que determinam o que deve ser veiculado neles. Ele crê que em smartphones os usuários busquem informações rápidas, como serviços. “As limitações de suas telas dificultam a publicação de matérias mais aprofundadas e extensas”, o que não acontece em tablets. Neles, é possível ler um conteúdo mais aprofundado. “Seu formato é mais propício a isso e algumas publicações – sobretudo os títulos de revistas – não duvidam em oferecer ao público um conteúdo jornalístico mais sofisticado. Os tablets oferecem inúmeras possibilidades de se editar uma matéria, incorporando conteúdos multimídia, infografias, galerias de imagens, etc. Com eles, é possível levar ao público informação jornalística de alta qualidade e com profundidade”.

(...)

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