A tecnologia vai mudar o jornalismo?
Segunda-feira, Março 8, 2010 at 11:33AM
Reproduzo abaixo um breve artigo que publiquei na revista “Painel”, da Unimep (Piracicaba, São Paulo). O tema proposto foi “Jornalismo e Tecnologia”. Aproveitei parte dos conteúdos da aula do colega André de Abreu, que abordou precisamente este tema em suas aulas no Master em Jornalismo Digital Multimídia. Segue a íntegra do texto:
No jornalismo online, o talento humano nunca será substituído pela tecnologia. Por mais que esta evolua numa velocidade superior à nossa capacidade de acompanhá-la, ela jamais superará a arte de captar, valorizar e julgar a realidade que só um bom jornalista pode ter. Nenhuma máquina, por mais avançada que seja, terá esse discernimento que caracteriza os grandes jornalistas.
Por outro lado, não se pode virar as costas à evolução tecnológica, que é real e influi em nossas vidas. É inevitável que ela exerça um impacto cada vez maior no trabalho jornalístico, como temos notado nos últimos anos. Ela não substituirá talentos, mas influirá no modo como um jornalista trabalha, sobretudo na internet, a mídia que mais diretamente vive essas transformações.
Um dos efeitos dessa evolução será sentido na organização da informação na web. Fala-se muito na consolidação da “Web 3.0”, também conhecida como “Web Semântica”, que será uma internet “mais inteligente” do que a internet que vimos nascer. Há hoje uma enorme quantidade de informação nas redes, e as questões fundamentais têm sido como organizá-la melhor e como tirar melhor proveito desse enorme banco de dados.
O mais irônico é o fato dessa “internet mais inteligente” depender da intervenção humana para funcionar bem. A informação que trafega pela web não é compreendida pelos computadores. As máquinas não entendem o significado das palavras e é por isso que, muitas vezes, nossas buscas atingem resultados descabidos.
Surgiu a ideia de “ensinar aos computadores” o significado da informação. Esse é o fundamento da web semântica: usar uma linguagem que representa a informação, que dá significado aos seus conteúdos. Computadores não sabem diferenciar entre sujeito, verbo e predicado numa frase – o que qualquer aluno do ensino fundamental sabe perfeitamente. É preciso ensinar às máquinas esses significados para que a informação nela contida seja melhor comunicada.
Para isso foi desenvolvida a linguagem RDF (Resource Description Framework), uma linguagem que “representa a informação”. Por meio dela, cada termo ganha um significado associado, previamente atribuído pelo usuário, que classifica os elementos de um documento conforme sua ontologia.
Essa preocupação com a semântica traz consequências diretas ao trabalho jornalístico na web. Por meio dela, é possível atribuir maior ou menor relevância a palavras-chave num texto, o que influi em sua visibilidade nos motores de busca. Além disso, o cuidado com a semântica possibilita atribuir o contexto adequado às palavras de um texto, permitindo que ela seja reutilizada em outras plataformas digitais, como por exemplo, nos celulares. De alguma maneira, os conteúdos informativos correrão o risco de se converterem ainda mais em commodities, o que é inevitável na era digital.
O uso de RDF ainda é restrito nas empresas jornalísticas. Experiências pioneiras surgiram nas mídias digitais do New York Times e do The Guardian, que já oferecem conteúdos com seu código aberto a desenvolvedores. Assim, esses conteúdos podem ser publicados em numerosos aplicativos desenvolvidos por terceiros, tal como um software de código aberto. Mas esse é apenas um pequeno passo dentre as múltiplas possibilidades que a web semântica oferece.









Reader Comments (1)
Tudo bem? questionas discussões deveras interessantes aqui....